Por Ana Célia Artiaga

Poucas artes são tão delicadas como a joalheria. Baseada em detalhes e preciosismos, mínimas alterações podem modificar a aparência final das joias. Assim, a escolha do tipo de cravação de pedra para joias tem extrema relevância no design. Neste artigo, vamos te explicar mais sobre a cravação na joalheria, sua importância e as suas principais variações.  

1. O QUE É CRAVAÇÃO?


A cravação é a técnica para afixar uma gema à estrutura de uma joia. Normalmente, é escolhida com base no tamanho (dimensões da pedra), no formato (Quadrada, Redonda, Retangular…) ou no tipo de lapidação (facetamento).

2. QUAL É A IMPORTÂNCIA DA CRAVAÇÃO DE PEDRAS PARA JOIAS?

O tipo de cravação de pedras altera a aparência e o valor agregado da joia, além de ser determinante para a escolha das técnicas e dos equipamentos usados no processo produtivo.

Também irá influenciar diretamente na resistência, na durabilidade da joia, no estilo e no valor agregado da joia. Isso porque alguns modelos de cravações são difíceis de serem executadas, exigindo mão-de-obra especializada e experiente. Alguns tipos de cravação de pedra para joias são patenteadas, como a ‘Invisible’ e a ‘Sob Pressão’.

3. OS PRINCIPAIS TIPOS DE CRAVAÇÃO DE PEDRAS PARA JOIAS

CRAVAÇÃO COM GRIFAS

A Cravação com Grifas ou com Garras, é o tipo mais tradicional e conhecido. Esta cravação pode ser usada em gemas de diferentes lapidações. Também é possível variar a quantidade de grifas (normalmente entre três e oito) e seus formatos (que podem ser perfis redondos, triangulares, quadrados, abaulados…).

Essa cravação é feita encaixando-se a parte com maior perímetro da pedra (o rondiz) nos pequenos vãos feitos nas grifas (fios de metal). É finalizada dobrando-se a parte acima da grifa sobre o topo pedra (mesa), afixando-a assim, na estrutura de metal (o chatão).

Ilustrações por Ana Cecília Artiaga

CRAVAÇÃO INGLESA

A Cravação Inglesa pode facilmente ser reconhecida, pois apresenta uma moldura de metal ao longo do topo da gema. Para fazer essa cravação, é feita uma estrutura metálica (caixa ou chatão) de mesmo formato da pedra, mas ligeiramente maior que a mesma. Na parede interna dessa caixa é feito um rasgo onde se encaixa o rondiz (parte com maior perímetro pedra). Finalmente, martela-se o metal sobre a coroa da pedra, formando a moldura.

A Cravação Inglesa é uma das mais reforçadas, oferecendo bastante proteção à gema e reduzindo o risco de quebra em caso de queda. Utiliza uma quantidade maior de metal em comparação a outros tipos de cravação e exige grande habilidade para ser executada, elevando assim o custo da joia.

Ilustrações por Ana Cecília Artiaga

CRAVAÇÃO MEIA-INGLESA

É uma variação da Cravação Inglesa. Como o próprio nome sugere, sua moldura de metal cobre uma área menor da coroa (parte inclinada e superior da pedra). É feita através do mesmo modo da Cravação Inglesa, com a diferença de que o metal é martelado somente em apenas algumas partes da gema.  É necessário que o cravador tenha experiência e habilidade para um bom resultado.

Ilustrações por Ana Cecília Artiaga

CRAVAÇÃO LENTILHA

A Cravação Lentilha também é uma derivação da Cravação Inglesa, mas se diferencia por usar bem menos metal, deixando os dois lados da pedra bem aparentes. O nome ‘Lentilha’ advém do uso de pedras com lapidações especiais, sem o cone de baixo da gema (pavilhão). Assim, essas gemas ficam achatadinhas, assemelhando-se a uma lentilha. Opta-se pelo uso de pedras com duas mesas (faceta plana e sem ponta), para que se apoiem melhor sobre as superfícies do corpo. Por ser especialmente simples de executar e não utilizar muito metal, essa cravação é uma das mais usadas.

É executada moldando-se um fio curvo de metal (virola) ao longo de todo o comprimento do rondiz da pedra. As extremidades desse fio são soldadas. Em seguida, também são soldadas duas argolas a este anel maior. É feito um corte entre uma das argolas e o anel para que a pedra se encaixe nele. Em seguida, fechamos esse ‘pescocinho com um alicate e disparamos aí um ponto de laser para prender e estabilizar esse sistema. A Cravação Lentilha só pode ser feita em que tem rodízios.

Ilustrações por Ana Cecília Artiaga

CRAVAÇÃO PRESSÃO

A Cravação Por Pressão é aquela em que a compressão da estrutura de metal é usada para fixar a gema. É rara, pois é de difícil execução e por ter surgido há pouco tempo, já que sua criação dependia do surgimento ligas metálicas beneficiadas com tecnologia para efetuar a tensão necessária que seguraria a pedra no seu devido lugar. Para fazer esta cravação, também chamada de Cravação Sob Tensão, nas extremidades tensionadas do aro são feitos rasgos paralelos, onde será encaixado, sob pressão, o rondiz da gema. Chama a atenção por seu visual minimalista.

Indica-se que seja feita com ligas metálicas rígidas, como Titânio, Platina, Ouro 18k e ouro 14k, já que ligas macias não tem força suficiente para fazer a compressão das pontas do aro sobre a pedra. Além disso, esta cravação só pode ser feita com gemas de alta dureza (como diamantes, rubis e safiras). Gemas macias podem se romper, amassar ou mesmo cair.

Ilustrações por Ana Cecília Artiaga

CRAVAÇÃO ILLUSION

A Cravação Illusion é aquela em que o diamante forma uma composição visual junto ao metal trabalhado, dando a impressão que a gema tem diferente formato ou tamanho maior que o original. Essa ilusão só é possível por que o metal é usado como uma moldura texturizada, em volta da gema. Essa textura tem um acabamento semelhante ao das facetas da pedra, mimetizando as facetas dos diamantes.

Esta Cravação pode ser combinada com outras cravações, como a de Grifas por exemplo. É importante ressaltar que quando o metal tem tonalidade diferente da gema, compromete o “Efeito Illusion”.  Da mesma forma, as gemas precisam ter cor e brilho padronizados. Cada vez mais usada na joalheria, a Cravação Illusion tem a vantagem de ser uma alternativa vantajosa para construir visuais imponentes com bom custo-benefício.

CRAVAÇÃO BIGODINHO

Na Cravação Bigodinho, as gemas são fixadas na joia pela sobreposição de delicadas lascas, que são retiradas do próprio metal (através de uma ferramenta chamada buril). A medida que o cravador vai levantando os “bigodinhos”, vai deixando também uma moldura espelhada ao redor da pedra. Devido a fragilidade destas farpas metálicas, essa cravação não é indicada para pedras maiores que 5mm.

Ilustrações por Ana Cecília Artiaga

CRAVAÇÃO TRILHO

Na Cravação Trilho as gemas são enfileiradas e justapostas entre duas estruturas paralelas de metal (em formato de canal). Para que seja executada, é necessário que as gemas tenham o mesmo tamanho, formato e lapidação para que seus rondizes sejam posicionadas e fixadas nos “rasgos” paralelos do metal, através do uso do martelete.

A Cravação Trilho exige muita habilidade e experiência por parte do cravador. É a de mais difícil execução. Embora seja frequentemente usada em anéis e alianças, não é recomentado o ajuste de tamanho dos aros com esse tipo cravação. Sua estrutura é bem fechada, o que favorece o acúmulo de resíduos em suas canaletas e partes internas. Assim, nessa cravação, a limpeza é necessária com frequência.

Ilustrações por Ana Cecília Artiaga

CRAVAÇÃO INVISÍVEL

Recorrente na alta joalheria, na Cravação Invisível as gemas são fixadas lado a lado, sem que fique metal aparente. Patenteada pela Van Cleef & Árpels em 1933, ainda existe uma discussão complexa sobre sua propriedade intelectual.

Para fazê-la, primeiramente as pedras são lapidadas uma a uma, de modo que fiquem rigorosamente apoiadas a uma malha metálica de apoio, que possui o mesmo formato e composição do conjunto das gemas. Em seguida, são fixadas à esta estrutura de metal através de um delicado, preciso e complexo sistema encaixe macho/fêmea que ocorre na altura dos rondizes (assim, a Cravação Invisível funciona melhor quando as pedras têm de lados retos). É especialmente complicada, pois exige um trabalho conjunto entre ourives, cravador e lapidário: os ultimos dão o toque final, garantindo a perfeito encaixe entre rondizes.

Ilustrações por Ana Cecília Artiaga


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